17 de set de 2015

A saga do silicone - o dia da cirurgia

Hoje vou contar, então, como foi o dia da minha cirurgia. Já vou avisando que vai ser um post longo e que é muito mais legal quando conto pessoalmente, porque fica mais dramático – então quando vocês me verem, peçam pra eu contar como foi, tá?  Vamos lá!

O dia 9 de setembro começou cedo. Eu deveria estar no hospital às 6 da manhã, então levantei por volta das 5 horas. Estava em jejum desde a noite anterior e não podia tomar nem água (e, por causa disso, fiquei a noite inteira sonhando que tinha comido coisas acidentalmente e não poderia mais ser operada). Mas, apesar da expectativa, eu me sentia tranquila. Ok, um pouco tranquila.

Preocupações que eu tinha antes da cirurgia:
- será que vou morrer?
-será que a anestesia não vai dar certo e vou ficar ouvindo tudo enquanto eles me cortam?
- será que vou detestar o resultado?

Acho que cada um carrega as suas próprias questões antes de fazer qualquer procedimento médico, e eu estava um pouco obcecada com essa coisa de morrer – inclusive organizei todos os arquivos do meu computador e as fotos em pastas nomeadas por ano e mês. E prometi que uma amiga minha poderia ficar com minhas roupas e livros. Mas só isso. No fundo eu sabia que não ia bater a caçoleta, porque a cirurgia do silicone tende a transcorrer sem grandes complicações.

Para a cirurgia é preciso que você esteja acompanhado por um responsável maior de idade, então minha linda mãe me acompanhou. Chegamos no hospital com um tanto de antecedência, fiz um cadastrinho lá, assinando papeis e etc. Então fomos encaminhadas para umas cadeirinhas na entrada do bloco cirúrgico. Ah, a cirurgia foi no Hospital Dia Unimed, em Novo Hamburgo.

Logo uma enfermeira me chamou. Tive que tirar toda a minha roupa (lembra do desprendimento que falei no post de ontem?) e vestir um aventalzinho que deixa a bunda de fora, uma calcinha que parecia uma fraldinha feita de tecido tnt, uma touca na cabeça e uns saquinhos nos pés. Mas a enfermeira me enrolou em um cobertor enquanto eu aguardava o meu médico, pra eu ficar mais confortável. Sem maquiagem, sem comer, sem glamour, com uma calcinha horrorosa, enrolada em um cobertor. Não era um dos meus melhores momentos, mas ok.

Então, perto das 7 horas, apareceu meu médico e tudo aconteceu bem rápido. Ele me encaminhou até a sala de cirurgia e fez em mim umas marcações com uma canetinha. Disse que estávamos esperando o anestesista e que logo tudo ia começar. Fiquei lá sentada esperando, fazendo uma oraçãozinha básica. A fé não costuma faiá, é o que dizem. Chegou o anestesista, colocou um soro no meu braço e disse que ia colocar um sedativo ali e que eu ia sentir uma tonturinha. O médico e as enfermeiras ficaram ao meu redor, para me segurar caso eu caísse. E então, parafraseando Leila Lopes, nada mais me lembro.



Acho que em alguns momentos depois eu meio que acordei e me falaram que eu estava indo para a recuperação, mas pode ser que minha cabeça tenha inventado isso. Quando me dei conta de verdade, estava deitada em um quarto diferente e já passavam das 10 da manhã. Minhas mãos estavam formigando por causa da anestesia, mas fora isso eu não sentia nada, só ficava olhando com curiosidade o volume que eu tinha no peito. Várias gazes, uma faixa e o tal do sutiã cirúrgico. Também ficava espiando as outras pessoas deitadas na sala de recuperação, tentando adivinhar o que elas tinham feito.

Pelo que eu tinha lido em outros blogs, pensei que eu logo seria liberada pra casa. Mas não. No momento em que a anestesia parou de fazer efeito, senti um desconforto absurdo. E, além do mais, você só pode ir embora depois que comer alguma coisa e fazer um xixizinho básico, então não ia ser tudo tão rapidinho assim. E não foi.

A tarde foi longa. Consegui, com dificuldade, comer um pedacinho de pão e tomar um pouco de chá. Porém, a hora de caminhar para ir ao banheiro foi terrível. Quando coloquei os pés no chão achei que fosse morrer. Nunca uma caminhada de 10 passos me demorou tanto. A enfermeira me tranquilizou, disse pra eu fazer tudo em câmera lenta que ia ficar tudo bem. Chegamos no banheiro, ela abaixou minha calcinha de tnt e fiz xixi. Ela me alcançou o papel higiênico. Voltei para a cama com ainda mais dificuldade e naquele momento eu percebi como seria dependente das outras pessoas por um tempo, como eu teria dor e seria tudo tão difícil. Meio que me apavorei. Ao deitar na cama novamente, chorei, fiquei nervosa e minha pressão baixou loucamente. Comecei a suar muito muito muito, e a enfermeira precisou ficar me secando com uma toalha. Sentia uma dor muito grande do peito, uma pressão absurda, e pedi um remédio mais forte. Me colocaram morfina e falaram que eu ia dormir por uma meia hora. Acordei duas horas depois, me sentindo um pouco melhor.

Em resumo, só por volta das 17h que comecei a movimentação para ir embora. Vale lembrar que minha mãe ficou o tempo todo me esperando láaaa na entrada do hospital, sem me ver em nenhum momento (apenas com informações das enfermeiras de “ela acordou, mãe!”, “ela comeu, mãe!” e “ih, mãe, ela sentiu dor e vai ter que ficar um pouquinho mais”). Me deixava tranquila saber que tinha alguém lá fora esperando por mim, sabe?

Sentei em uma cadeira de rodas e me levaram até onde estavam minhas roupas. Me vesti com a ajuda da enfermeira e voltei pra cadeira. Saímos do bloco cirúrgico e finalmente vi minha mãe – e ela disse que eu estava verde. Mas tudo certo, voltamos para casa e o pós-operatório estava apenas começando.
 
Continua nos próximos capítulos.


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